terça-feira, 26 de maio de 2009
reveries de uma menina sem ter o que fazer, no colégio
Os pés que passavam por aqui e não passam mais, amanhã serão os meus. Os braços que me abraçavam e não estão mais aqui, os sorrisos e os amores que não estão mais aqui. Casa que me abriga, me deu amor e também me tirou. Desde que cheguei tanta coisa mudou, tanta gente passou, e as lembranças todas eu guardo na última prateleira do closet. Vida que não volta mais, a pressa de te viver vai te deixando cada vez mais pra trás. Pessoas, nomes, datas, lugares, acontecimentos, tudo se emaranhando tornando tempo e espaço intervalos tão curtos, mas tão curtos...Nessa mesma passarela que agora está à minha frente, já passou meu amor, já passou gente que eu nem conhecia e agora conheço, já passou gente que eu conhecia e que agora não conheço mais; já passou um mundo inteiro, inclusive eu mesma quando eu ainda não era eu mesma, e um dia por ela passarei pela última vez - provavelmente sem ter muita certeza de que será a última vez- e deixarei para trás todo esse cenário que revive vidas e sonhos em minha cabeça confusa, e partirei para novos cenários, viver novos atos e não lembrar mais muito bem de quem eu fui, ou de quem foram.
domingo, 17 de maio de 2009
Até hoje quando olho para as minhas unhas lembro daquele dia em que você as elogiou. Minha webcam no msn apontada para o teclado, você me vendo digitar, e o inusitado elogio: ei, tua unha é massa óh! Não muito romântico, a primeira vista.. Mas foi o mais verdadeiro que já recebi..Como no dia em que quando criança cheguei para minha vó, que estava doente, dizendo que o braço dela era lindo... Quanto tempo faz que você deixou escapar para mim essa mostra de carinho? Um ano, no mínimo. E ainda hoje ao cortar as unhas ou verificar o tamanho delas você me surge a mente, suas palavras... em que ponto amor deixa de ser amor para ser obsessão? Volta pra mim..
quinta-feira, 2 de abril de 2009
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Lua seca,
Lua murcha.
Aonde vais?
Tuas estrelas já não brilham mais.
Lua bonita,
Lua sentida.
Aonde vais?
Cadê o sol que não te acende mais?
Lua penosa,
Lua pesada
Lua cadente,
Lua acabada.
Cadê teu brilho que não acende mais?
Nuvem negra, impiedosa
Tiraste da Lua o Mundo,
e o mundo já não vê Lua.
Nuvem negra, impiedosa
Lua já não toca o céu
Lua já não pisa o chão
Lua pequena,
Lua serena
E agora, aonde vais?
Será da terra ou será do sonho, que tu irás atrás?
Lua murcha.
Aonde vais?
Tuas estrelas já não brilham mais.
Lua bonita,
Lua sentida.
Aonde vais?
Cadê o sol que não te acende mais?
Lua penosa,
Lua pesada
Lua cadente,
Lua acabada.
Cadê teu brilho que não acende mais?
Nuvem negra, impiedosa
Tiraste da Lua o Mundo,
e o mundo já não vê Lua.
Nuvem negra, impiedosa
Lua já não toca o céu
Lua já não pisa o chão
Lua pequena,
Lua serena
E agora, aonde vais?
Será da terra ou será do sonho, que tu irás atrás?
Vermelho e verde são as cores da nostalgia
Em cima do carro um prédio ao longe treme de calor. Tudo está como sempre, exceto a cabeça e as cores. Vermelho e verde são as cores da nostalgia. A parede vazada da quadra esportiva causa um choque inesperado. O que se sentir, o que se pensar? Nada? Tanta coisa que falta, tanto buraco. Em que tombo me esqueci? As cores da igreja estão ainda fracas. Os pombos voam nas sombras dos abutres. No olhar de quem me perdi? Tanto desprezo sem razão... Será que tantos assim estão errados ou eu estou errada tanto assim? Acreditava ainda ontem naquilo. Mas é mais fácil uma pessoa estar na contra-mão do que o mundo inteiro... Moral, princípios, ética, amor. Tudo desembocando num mar escuro e denso. Há um navio petroleiro logo ao lado e eu afogo em meio à riqueza afundada. O amor me traiu e eu odeio o amor. Tudo está errado e tudo o que se pode fazer para consertar está errado. Afundar de vez ou tentar nadar contra as ondas e o óleo até uma ilha. Pra quê? Sombra e água fresca paliativos chega disso. Fé, sonhos, auto-estima, amor. Tudo evaporado sob o sol impiedoso. Boiar ou morrer. Boiar, ou morrer.
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