É duro demais aceitar que quem se amava está morto. É duro demais vê-lo respirando, sorrindo -vivendo, enfim- em sua frente e, ao mesmo tempo, sabê-lo morto. Ver sua carcaça e não reconhecer sua alma. É simplesmente algo terrível.
De repente conseguir vê-lo por outra ótica, como se nunca o tivesse conhecido - e perceber a pessoa desprezível em que se tornou. Bem, aí tudo fica mais simples. "Eu é que não quero alguém assim perto de mim", e pronto. Mas aí logo depois a mente confusa embaralha tudo, e vê no rosto de sempre a alma de sempre, e pensa "puxa vida como fomos chegar a este ponto?", "tem que haver algo que se possa fazer". E a voz da razão martela no ouvido apoiada com os conselhos dos outros: "conforme-se, ele morreu.". E o consciente pondera "é, ele nunca vai voltar a ser o que era antes" e o inconsciente chora. Quero de volta quem amei. Por que todos têm de ir embora? Cale a boca, não seja ingrata. Há tanta gente que te quer bem. Mas cada pessoa é única, você sabe. Por que justamente as quais eu depositei mais confiança tinham de me abandonar? Um eu nunca conheci, e é melhor mesmo que tenha ido embora, apesar de que não precisava ter ido de forma tão traumática. O outro, ainda estou em dúvida se também nunca o conheci ou se ele mudou completamente (morreu, enfim). Seja qual for o certo, desvalorizou-se um relacionamento que foi tão duradouro e que parecia tão bonito. Agora todo o resto parece sem sentido. Se for para chegar onde cheguei, eu que não quero mais saber disso. O terceiro, bem..o terceiro é outra história.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
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